Guia do ciclista

18 de abril de 2022 | Categoria: Mountain, Road

O ciclismo em prol do MTB e vice-versa

Você pratica somente uma modalidade, mas pensa em praticar a outra? Entenda os benefícios

Por Breno Bizinoto

É muito comum ver os atletas amadores e profissionais praticarem mais de uma disciplina do mundo da bike. Geralmente, todos os atletas tem uma modalidade favorita, mas sempre praticam uma modalidade em paralelo. É o caso principalmente do mountain bike: os atletas de MTB chegam a passar mais tempo treinando no asfalto do que nas trilhas propriamente ditas. Os atletas de road nem sempre andam de MTB, mas deveriam.

O que temos que levar em conta nessa equação são os benefícios que cada modalidade entrega para atletas que fazem competições de naturezas distintas. É muito resumido dizer que o MTB oferece um aprimoramento de técnica, enquanto o Road oferece melhor treinamento da cadência e potência aplicada, sem qualquer treinamento técnico. Apesar de ser mais ou menos isso, chega a ser um resumo injusto.

A verdade é que o MTB pode te entregar também um treinamento de cadência interessante, uma vez que aprender a desenvolver a pedalada redonda e constante em um terreno todo irregular e imprevisível torna-se algo bem desafiador, o que pode ter benefícios até para o atleta de ciclismo de estrada.

Pelo ponto de vista da parte técnica

Chega a ser óbvio o quanto é importante que um atleta de road passe por sessões de MTB para se preparar para possíveis intempéries em seus dias de asfalto. Saber desviar de um buraco, dar um pulo, ter força e resposta de reflexo para segurar o guidão da bike quando por acaso cair em um buraco – e várias outras situações que fazem do ciclismo de estrada a modalidade mais propensa a acidentes graves.

É interessante que, além da técnica, existe outra importância para se manter vivo e seguro em cima da bicicleta. O atleta de road desenvolve um ótimo nível de atenção durante a pedalada.

Lembro quando comprei a minha primeira road bike, aproximadamente 2 anos depois que já competia grandes provas de MTB. Em 2009, um grande amigo, Henrique “Bitelo” Furtado, hoje team manager da equipe Specialized Brasil, me deu a seguinte dica: “Breninho, speed não é pra quem está pedalando desatento. Não tem essa de sair pedalando e assistindo o por do sol. Speed é perigoso e você tem que estar atento 100% do tempo.”

E é isso mesmo. Andando de speed eu desenvolvi um nível de atenção que ainda não me era exigido no MTB. Qualquer olho de gato pode te jogar no chão, e qualquer queda no chão pode virar uma catástrofe. Mesmo cansado e com a respiração bufando, você desliga a potência nas pernas, mas não desliga o radar da atenção. Mão sempre no guidão e orelha em pé, esperto igual um gato.

Ainda digo que, os treinos de road (ou speed, dá no mesmo), são importantes para o MTB no quesito técnico da velocidade. Acostumar-se com uma média de velocidade maior no asfalto nos faz entender melhor o comportamento em curvas, escolha do ponto de tangência que vamos passar, melhor momento para frenagem e aceleração dentro de uma curva etc.

A gente começa também a explorar os caminhos mais curtos quando fazemos treinos no estilo contra-relógio. A menor distância entre dois pontos é sempre uma linha reta, não é? Parece bobeira, mas bons atletas de contra relógio conseguem diminuir não somente o tempo de execução de um determinado percurso, mas diminuem também a distância daquele percurso.

Em um trajeto de 20 a 30 kms, um bom contra-relogista pode economizar até 400 metros, simplesmente escolhendo as melhores linhas de pilotagem.

Deixando de lado a parte técnica

Poderíamos passar um dia inteiro falando sobre os benefícios que existem na parte física e de estímulos musculares e diferenças dos estímulos aeróbicos entre essas duas disciplinas do mundo da bike – e principalmente como elas se complementam, e muito.

A questão é que o MTB não é um esporte completo, assim como o ciclismo de estrada também não é. O BMX, o enduro, o cyclocross e o downhill também não. Mas eles se completam.

E a gente fica muito mais saudável se conseguir praticar atividades suficientes para aprender grandes disciplinas. Eu nunca fui um atleta especializado, mas sempre generalista. Já competi de gravel e de MTB o Inca Divide, que é uma das provas mais longas do mundo, assim como já competi XC, XCM e enduro com bike rígida. Não sou excelente em nenhuma delas. Na verdade, sou péssimo em algumas, mas sempre estou lá.

E cada um desses grupos tem as suas limitações e facilidades, mas quando a gente frequenta todas as turmas, conseguimos aparar essas arestas. Legal né?

Não estou dizendo que você tem que comprar 3 bicicletas pra ficar bom, mas comece a pesquisar, estude as outras modalidades, veja o que os caras de lá tem pra contar de novo pra gente que nunca praticou aquela disciplina estranha. Isso faz a gente pedalar melhor.

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